20/08/2014

Segurança Pública em pauta na Câmara de Campos

Em razão dos assustadores índices de aumento da violência em Campos e região, a questão da segurança pública foi o assunto predominante na primeira sessão desta terça-feira (19) na Câmara Municipal, que contou com a presença do novo comandante do 8° Batalhão de Polícia Militar (8° BPM Campos), tenente coronel Ramiro de Oliveira Campos, para um debate sobre o problema. Os vereadores levantaram questões e foram prontamente respondidos pelo comandante que,ao final da sessão, pediu apoio aos legisladores para atuar na diminuição dos índices de criminalidade no município.
Ramiro Campos prometeu empenho para revertê-lo, dando como exemplo o trabalho que relatou ter feito em Macaé, onde esteve recentemente lotado.
No Norte Fluminense, entre os delitos que registraram maior aumento absoluto no período de abril, maio e junho de 2014 quando comparados ao mesmo período do ano anterior, estão: ameaça (com mais 113 vítimas ou 21,1%), roubo de veículo (com mais 89 casos ou 90,8%) e tentativa de homicídio (com mais 38 vítimas).
Em abril, maio e junho de 2014 o total de roubos aumentou em 13,2% ou mais 86 delitos se comparado com o mesmo período do ano anterior.
Para completar o quadro de apreensão, áreas estão sob o controle do tráfico de drogas. O comandante lamentou o crime de que foi vítima uma adolescente de 9 anos, já fora de perigo.
Entre janeiro e junho 2014, os homicídios dolosos tiveram aumento de 79 para 113 casos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do Instituto de Segurança Pública, órgão do governo estadual.
“Há um aumento significativo nos homicídios em comparação ao primeiro semestre de 2013, segundo dados do próprio Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão do governo estadual. Mas a segurança é um assunto muito importante pra ficar nas costas da polícia militar. Uma questão que merece uma discussão profunda, visto que também acaba de ser aprovado o armamento das guardas que precisa ser debatido”, disse o presidente da câmara Edson Batista.
O presidente da Câmara acrescentou ainda sobre a necessidade de o governo estadual aumentar o efetivo policial no município que tem sofrido conseqüências com a transferência de policiais para a capital.
“É fundamental também o combate o tráfico de drogas que faz como vítimas jovens que não estudam, não trabalham ou não procuram emprego. Criar políticas públicas e oportunidades para esses jovens é igualmente preciso. O assunto é muito sério para ser tratado apenas pela polícia, envolve ações operacionais, mas também preventivas”, avaliou Edson.
Batista enfatizou também que o tema da segurança pública tem sido recorrente na região em razão da incidência de crimes. No inicio do mês, o assunto foi abordado na última reunião do Parlamento Regional, em Macaé.
“Essa cooperação entre a Câmara e a Polícia é fundamental. Até porque o vereador é político que tem contato direto com os problemas das comunidades. Mas o problema da segurança pública começa em casa, com a educação dos filhos, depois vem o estado com todas as suas esferas e políticas públicas. A violência se resume na disputa territorial pelo tráfico de drogas. A droga hoje é uma epidemia e se não for tratada vai virar uma pandemia. Não vou permitir que facções assumam o controle de áreas nesta cidade, a exemplo do que ocorreu em Macaé, e conseguimos debelar”, alertou o coronel Ramiro.
O vereador Nildo Cardoso destacou ações criminosas na Baixada Campista. “Hoje não temos liberdade de transitar em nossas comunidades. Além disso, vemos no interior como São Martinho, Conselheiro Josino e Santa Maria com seus DPOs fechados, deixando a população insegura”.
Para Paulo César Genásio, armar a população não é uma saída. “Como cidadão e policial militar não acho que uma sociedade armada possa resolver o problema da segurança pública”, disse o parlamentar. Em seguida Maria Auxiliadora Freitas lembrou a responsabilidade do Estado. “Faltam ações de responsabilidade do Estado para tirar nossos jovens e crianças das ruas. Precisamos educar hoje para não punir amanhã”.
AUMENTO DO EFETIVO POLICIAL – Gil Viana pediu o aumento do efetivo policial nas ruas. Albertinho falou sobre o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerj). “Solicito ao comandante que estenda para mais escolas, principalmente as que estão em comunidade de risco”.
Rafael Diniz lembrou a importância da sociedade no papel de fiscal da educação. “Não devemos somente culpar o governo estadual que é responsável pelo efetivo militar, mas também refletir sobre a questão: qual é a cidade mais segura, a que mais prende ou que menos precisa prender?”.
Líder do governo na Câmara, Paulo Hirano falou da importância da ressocialização dos presos. “Não adianta prender e não reabilitar. Também gostaria de dar as boas vindas ao coronel e dizer que o governo estará à disposição para trabalharmos juntos”.

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