11/04/2012

Relator espera que União ceda nos royalties

Sem sinal de entendimento entre Estados produtores de petróleo e os demais, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) marcou para 24 de abril a apresentação do parecer sobre o projeto de lei que cria nova repartição da remuneração do petróleo extraído do mar (arrecadação com royalties e participação especial). 

O relator espera resposta do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, sobre a possibilidade de a União ceder um pouco mais de sua participação nesses recursos, para que ele possa aumentar os ganhos dos não produtores. Barbosa disse ser difícil haver margem de manobra, mas prometeu fazer consultas e dar posição definitiva. 

A apresentação do parecer será ao grupo criado na Câmara dos Deputados para tentar acordo em torno do assunto. Um mês depois de criado, os integrantes continuam em pé de guerra. A proposta será submetida à discussão da comissão, mas será votada diretamente no plenário. Segundo o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), informou ao relator, será depois da votação do projeto do Código Florestal, prevista para a última semana de abril.

O grupo de trabalho quer reunir-se com lideranças do Senado, para evitar que a proposta seja alterada naquela Casa. Zarattini é relator do projeto de lei aprovado pelos senadores em outubro de 2011, na forma de substitutivo de Vital do Rêgo (PMDB-PB). Como será modificado pelos deputados, terá de ser novamente submetido à votação dos senadores - que podem aprovar o texto da Câmara ou retomar à proposta inicial.

A única coisa que Zarattini antecipa de seu parecer é a "ideia" de manter a receita atual de Estados e municípios - em termos de percentuais, sem engessamento de valores ou índices de correção- e redistribuir entre as unidades da federação, sob regras mais equânimes o crescimento da arrecadação resultante do aumento da produção de petróleo. 

O enfrentamento entre deputados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo - os dois maiores Estados produtores ou confrontantes (cujo litoral fica defronte de campos de petróleo no mar) -, de um lado, e do Piauí, da Bahia e de Santa Catarina, do outro, marcou a reunião de ontem do grupo, que deveria tentar acordo em torno da proposta.

A comissão tem seu prazo limite no dia 13 e, pelo ambiente da reunião de ontem, não há qualquer possibilidade de consenso. Deputados do Rio e do Espírito Santo continuam insistindo em mudar as regras apenas para os campos ainda não licitados, a ser explorados pelo modelo de partilha de produção. "Isso é um desrespeito com o restante do Brasil", disse Marcelo Castro (PMDB-PI).

Para ele, Zaratini está postergando o parecer. "Isso poderia ser feito em meia hora", disse. "Em meia hora só se for para fazer a bobagem que vocês já fizeram", afirmou Leonardo Picciani (PMDB-RJ). "A gente está aqui tentando entendimento, e vocês ficam nos ridicularizando. Você vai ver a bobagem", reagiu o senador do Piauí. Picciani chamou-o de "criança mimada". Anthony Garotinho (PR-RJ) alertou que os produtores não poderiam ser surpreendidos com perda de receita. Benedita da Silva (PT-RJ) reclamou do "radicalismo" dos colegas. 

Os não produtores querem aumentar sua receita imediatamente, o que implica repartir o dinheiro dos contratos já licitados, pelo modelo de concessão. O relator já se comprometeu com isso. Segundo ele, alterar a forma de divisão do dinheiro não implica alteração nos contratos firmados pelas empresas que exploram os campos.
Por: Valor Economico

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