Por 6 votos a 5 os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)
decidiram que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem o poder de
iniciar investigações e punir magistrados independentemente da atuação
das corregedorias locais dos Tribunais. Na prática, foi rejeitada a tese
da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que tentou reduzir os
poderes do Conselho através de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI).
Foram favoráveis à manutenção dos poderes do Conselho os ministros
Gilmar Mendes, Ayres Britto, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e
Joaquim Barbosa. Os demais ministros defenderam a tese de que o CNJ só
poderia abrir processos ou tirar os já abertos nas corregedorias locais
em situações excepcionais e com motivação explícita.
Durante o debate o ministro Gilmar Mendes disse que até mesmo as
pedras sabem que o CNJ foi criado pela incapacidade das corregedorias
locais julgarem seus pares – no caso, desembargadores de Tribunais de
Justiça - por isso, deve ter seus poderes mantidos.
“O CNJ estava voltado para exercer poder correcional em relação aos
desembargadores. Até as pedras sabem que as corregedorias não funcionam
quando se cuida de investigar os próprios pares. Jornalistas e
jornaleiros dizem isso a toda hora”, disse.
O presidente do STF, Cezar Peluso, que ficou vencido na votação,
criticou a tese de plenos poderes do CNJ. Para ele, autorizar o Conselho
a abrir processos ou puxar das corregedorias aqueles que já abertos,
significaria o fim dos colegiados correcionais locais.
“O CNJ veio para que as corregedorias trabalhem como devem ou para acabar com as corregedorias?”, questionou.
O relator da matéria, ministro Marco Aurélio Mello, que também ficou
vencido, concordou com Peluso e disse que as corregedorias dos Tribunais
locais - 90 em todo o País – gastam o dinheiro do contribuinte e não
podem ser esvaziadas.
Apesar disso, o voto majoritário foi sintetizado pelo ministro Ayres
Britto. “O CNJ veio para se somar às corregedorias, quando possível. E
para substituí-las, quando necessário”.
Julgamento
Apesar da definição sobre os poderes de investigação do CNJ, o STF
não encerrou o julgamento da ADI proposta pela AMB. Os ministros ainda
devem avaliar se os critérios e tramites para o julgamento dos
magistrados pelo Conselho estão de acordo com a Constituição. Devido ao
horário avançado nesta quinta-feira, a Corte decidiu que isso será feito
na próxima semana.
Discurso: Peluso diz que Judiciário se tornou alvo de 'pressões impróprias'
Polêmica: Órgãos de controle do Judiciário correm o risco de virar 'decorativos'
Divisão: Decisão sobre poderes do CNJ provoca racha no Supremo
Polêmica: Órgãos de controle do Judiciário correm o risco de virar 'decorativos'
Divisão: Decisão sobre poderes do CNJ provoca racha no Supremo
Nenhum comentário:
Postar um comentário