Nova divisão das rendas do petróleo foi aprovada no Senado em outubro. Tema será votado até março para evitar que eleição 'contamine', disse Maia.
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, afirmou nesta
terça-feira (20) que o projeto que redefine a divisão dos recursos
provenientes da exploração do petróleo, conhecido como o projeto dos
royalties, é "prioridade absoluta" para o ano que vem.
"É prioridade absoluta para 2012. (...) É uma matéria que nós queremos
tratar no início do próximo ano exatamente para não permitir que ela
seja contaminada pelo debate eleitoral", disse Maia em entrevista na
qual fez um balanço sobre os trabalhos da Câmara em 2011.

O presidente da Câmara, Marco Maia, durante
balanço das atividades da Casa em 2011 (Foto:
Antônio Cruz / Agência Brasil)
balanço das atividades da Casa em 2011 (Foto:
Antônio Cruz / Agência Brasil)
Segundo o presidente, a intenção da Câmara é constituir uma comissão
especial para tratar do tema ainda no começo do ano e "no mais tardar"
ter condições de votar uma proposta definitiva. A previsão, conforme
Maia, é votar até o final de fevereiro ou início de março.
"Nós não queremos nem ser açodados, que não permita que haja um bom
debate sobre o tema, mas nem ser lentos ou lerdos demais que não permita
a discussão e o debate o mais rapidamente possível. É uma matéria que
interessa ao país, interessa à nação", completou o presidente.
Para Maia, o mais importante é haver um entendimento entre as partes
interessadas para que não haja entraves no futuro, como veto
presidencial ou julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em outubro, o Senado aprovou a nova proposta de redistribuição. Pelo
texto, a participação dos estados produtores (Rio de Janeiro e Espírito
Santo) cai de 26,25% para 20% a partir de 2012, com a diferença
repassada a estados não produtores.
A mudança sofreu resistência das bancadas do Rio e do Espírito Santo e
provocou protestos nos estados. Para entrar em vigor, o texto precisa
ser votado na Câmara e sancionado pela presidente Dilma Rousseff.

Cargos
Marco Maia comentou ainda a aprovação, na semana passada, de resolução que cria 66 cargos para o PSD na estrutura da Casa. O partido criado neste ano pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, já tem a terceira maior bancada da Câmara.
Maia afirmou que os cargos são temporários, até o fim da legislatura
atual. "[Com a antiga resolução] o PSD não teria nenhum tipo de
estrutura dentro da Câmara dos Deputados para seu funcionamento. E é
incompreensível que um partido que tenha 56 deputados, terceira maior
bancada, não pudesse ter nenhum tipo de estrutura para seu
funcionamento", disse Maia.
O presidente falou também sobre a aprovação e posterior revogação da
manutenção de 300 cargos de nível médio na Casa. Maia fisse que a Câmara
está passando por um momento de muitas aposentadorias de funcionários e
que, por isso, havia intenção de criar novos cargos. No entanto, ele
afirma que os cargos não foram criados por falta de acordo.
Segundo ele, como essa matéria não foi discutida no colegiado de
líderes, Marco Maia tomou a decisão de vetar a reposição dos cargos
quando vagarem. "Então esses cargos não serão repostos durante os
próximos anos até sua extinção definitiva".
Reajustes
Com relação ao reajuste de salário dos servidores federais, o presidente da Câmara afirmou que "todo trabalhador deveria ter o direito da recomposição dos seus salários como forma de estímulo ao trabalho".
Conforme Marco Maia, discutir os salários dos servidores deveria ser um
assunto "natural" e que a crise financeira internacional prejudicou a
discussão: "Em alguma medida está relacionada aos gastos públicos. [...]
Isso requer que haja uma cautela maior, um cuidado maior. Foi o que
levou a Presidente Dilma ter uma decisão forte e determinada de não
conceder nenhum reajuste aos servidores públicos da União, durante este
ano de 2011".
Quanto às verbas destinadas aos gabinetes dos deputados, o presidente
da Casa defendeu a liberação do reajuste pois os funcionários dos
gabinetes são os que "tem um salário menor e que estão há cinco anos sem
ter nenhum tipo de reajuste".
Outros temas
O tema da reforma política, segundo Marco Maia, não avançou por falta de acordo entre os deputados da comissão especial criada para o assunto. "Nós não conseguimos ainda compor um acordo que permita alterações e mudanças na estrutura política brasileira", disse.
Em relação ao fator previdenciáriom considerou ser "uma daquelas pautas
que colocaria entre o que nós podemos lamentar por não ter votado no
ano de 2011".
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